Marcelo Zacarelli

Marcelo Zacarelli

Visualizações de Página

Mostrando postagens com marcador Ideologias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ideologias. Mostrar todas as postagens

01 março 2014

As Rochas não Falam


A Solidão, esta; Que habita no meu coração
Praia deserta de rochas silenciosas
Contam um segredo só meu.
Falo aos passarinhos, estes zombam de mim
Em perfeita sinfonia caçoam do meu sofrer.

Desabafo então com as pedras
Estas, não podem opinar a meu respeito;
Por que as desgraçadas não podem ouvir?

Vejo ao longe o mar abraçar as rochas
Estas, oferecem-lhe a face
Para que o sal palpem-lhes o queixo...
Tenho lágrimas que o sal do mar
Não as podem enfrentar.

Acendo uma fogueira na areia
Esta, faz-me lembrar o teu calor
Tomo um vinho seco
E fico a namorar a lua até a madrugada.

Quando o sol despenca no travesseiro
Imaginário do meu leito,
Levanto e preparo uma jangada
Ponho-me a desbravar os oceanos...

Em terra firme queixo-me as pedras
Estas, ficam a admirar o meu sofrer
Parecem murmurar aos meu ouvidos;
Mais dia menos dia, tudo parece mudar
As areias, os mares, eu e a solidão...

As rochas continuam mudas
Quanto as minhas queixas
Estas, são todas ouvido.

Autor: Marcelo Zacarelli
São Paulo, 15 de Janeiro de 2014





19 janeiro 2014

Estrada Km 44


Deveras, o caminho da vida é uma estrada
Infinita aos olhos da criança, curta para o intuito da adulta
Porém, não são os mesmos sóis por ambos os caminhos?
A diferença é que há um, paira no firmamento
Enquanto o outro morre na gula dos seus dias;

Eu acordei criança ainda pelo Km 5
Não me perguntem sobre as páginas da minha meninice
Talvez o pai pudesse-lhes dizer, não fosse desde 2007
Nem pó, nem ataúde, nem projeto de gente;
Quanto a mãe, na qual percorreu esta estrada
Confortável assentada na janela do tempo
Ainda que os sessenta e sete o tomara
Corra! para que os anos não lhe afetem a memória.

Quase sai do purgatório da inocência aos quatorze
Pisando em terra firme, velejei pelos mares desta vida
De certo que eras feminino; eu as mesmo provei
Extraíram-se destes, muito mais sais que prazeres;
A primeira carteira, o primeiro trabalho
E o sol já castigavam as sobrancelhas.

O primeiro amor! O homem só começa a viver quando sonha
Vejamos aqui, que atento em ser breve
Armei as minhas barracas nos acostamentos da longa estrada
Por "Quatro" vezes, nem vi o tempo passar, eu confesso
Quantas águas bebi pelo árduo caminho, não estava sozinho;
Alguns de sangue até que me intrometeram.

O mais estranho desta jornada, é que se mete os pés pelas mãos
Aquela que lhes compromete pô-las os pés na estrada
Anda meia que manquitolando, exibe o vosso calcanhar liso;
A mim me pareço cansado em mapear as rachaduras...
Pensei algumas vezes em estacionar lá pelo Km 30
Mas tinha combustível na alma, e vontade nas pernas.

Ao longo do caminho, quantos mares que secaram
Poeiras que o vento nem sabia se levava, ou se trazia
Até nisto o coração é enganoso, o peso do tempo não perdoa
Carrega a mochila nas costas, mais cheias de pecado que fadiga.

Como poderei saber o fim do meu caminho?
Conheci pessoas velhas, outrora jovens e doravante meninas
Uma espécie de retrocesso, volta no caminho...
Como poderei medir o meio deste meu caminho?
Pois aquele que me esquadrinhou ao tempo
Era ainda pedreiro, assim, sem jeito;
Tento mirar em vão o fim da estrada 
Como se cada amargura que tivesse
Fosse expirar o fim do meu murmúrio.

Entre tantos descuidos fiz uma descoberta
Que a morte não soa tão ruim assim;
Quando a pior das mortes sempre é a solidão...
Eu, que acabo por vence-las; Que o digam as antigas mariposas
As vezes sinto saudades de me ver criança
De ver a face do sol, tão jovem quanto as minhas peripécias
Mas até elas insistem a me virar a face.

Outras coisas boas aprendi na vida
Não que seja moço bom pra dar conselhos
Quem já apagou três lampiões
Não pode ensinar ninguém a escapar da escuridão
Hoje a minha alma entrelaçada
Caiu no alçapão da vida, não quer mais sair.

Dizem-se por aí muitas besteiras
Que a tal morte é que nos traz a liberdade;
Não quero ser livre, tenho apenas compromisso com a vida
Esta estrada que alguém confiou a mim
Tem muito dos seus mistérios, sabe-se lá quantos
Metros ou quilômetros, ainda terei que percorrer.

Parei no Km 44
Não é que me bateu uma vontade de me ver criança
Tem nada não, o final é logo ali
Quem sabe no Km 66
Já possa me ver velho moço
Dali a ser menino é só um pulo;
Como poderei saber o fim do meu caminho?
Espero que seja a morte
Solidão! não, solidão...

Marcelo Zacarelli
São Paulo, 09 de Janeiro de 2014



15 abril 2013

A Dália do Ártico


Entre os gêneros é que te perdestes
Franzina fêmea
Teus olhares absurdos, aguçados...
Querem que seja tu quem não és
Pois és tu quem não querem que sejas;

Entre os girassóis te perdestes
A mais linda dália do Ártico
Sobre os aguilhões do preconceito
Vararam as tuas entranhas
Teu caule subitamente amordaçado
Palavras jogadas ao vento...

Bem sei quem tu és
Areia quente do deserto
Teus olhos marejados são lamentos
Sobrevive entre a sociedade das flores
Em um covil de lobos esfomeados
Querem a tua carne vegetal saciado
Apedrejam tua nudez com perjuras
Aquele a quem espera a primavera
Prematura no ventre dos amantes...

Quando o sol descer à sepultura dos montes
E a noite cair como noiva no teu leito
Saberás que o inverno bate em sua porta
Gemidos que uivam em vãos pensamentos;

Franzina fêmea
Onde estão as rosas que te acusastes?
Não sobreviveram ao duro golpe do tempo?
Na geleira do preconceito brilhou a luz do sol
Derramou o teu perfume feito sangue
Exalou nas narinas da sociedade
Intoxicou a consciência dos mais nobres ignorantes.


Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli
Village, Abril de 2013 no dia 15


28 abril 2011

Estrada do Amor e Espinhos


Você pode escolher seguir esta estrada
Poderá ter lágrimas ou flores
Só você poderá decidir
Remover as pedras se preciso for
Outras tentaram até o fim
Mas o coração é uma terra despida;

Você pode desistir desta estrada
Se poupar de possíveis dores
Só você poderá decidir
O tempo parece jogar a favor
Outras nem se quer tentaram
Mas você parece ser decidida;

Pense sempre positivo
A cada pedra que pisar no caminho
Pense sempre positivo
Na estrada do amor e espinhos...

Mas se caso você seguir esta estrada
Talvez veja que não há tanta dor
Mas só você poderá decidir
Entre ficar ou ver o sol se pôr
Lembre-se o tempo não volta atrás
Mas você parece ser decidida;

Mas se você voltar no meio do caminho
Ninguém poderá julgá-la
Outras tentaram até o fim
O tempo parecia jogar a favor
Temo que você possa voltar atrás
Mas você parece ser decidida.

Produzido por Marcelo Henrique Zacarelli
Village Itaquá (SP) Abril de 2011 no dia 28.         

25 abril 2011

Os Sinos de Maio


O tempo parece não passar quando estou contigo
Onde está o teu sorriso...
Se perderam no passado, eu acredito;
As folhas se perderam num outono de domingo
As encontrarei amanhã repousando, eu acredito;

Os sinos de maio tocam sem destino é um aviso
Onde está o teu sorriso...
Se perderam no passado, eu acredito
Meu coração é uma árvore seca, eu posso sentir
Como uma música suave neste teu partir;

Eu estaria vivo se estivesse aqui
Como os sinos de maio
Estaria vivo...

Não adianta escrever quando saudade é o que sinto
Onde está o teu sorriso...
Está preso no passado, meu amigo;
A noite se confunde com as estrelas e o infinito
A música parece não acabar, eu acredito;

O amanhã pode estar mais perto do que imagino
Como seguirei sorrindo?
Estou preso no passado, eu acredito;
Os sinos de maio tocam sem destino é um aviso
Onde está o teu sorriso;

Eu estaria vivo se estivesse aqui
Como os sinos de maio
Estaria vivo.

Em Memória de Aldo Rodolfo Zacarelli.

Produzido por Marcelo Henrique Zacarelli
Village Itaquá (SP) Abril de 2011 no dia 21.         

Estarei com Você


Mesmo que o céu amanheça cinza pra você meu amor
Estarei aqui com você, eu Prometo
Se você perder a cor do sol ao entardecer meu amor
Estarei com você, eu prometo;

Estarei com você
Onde o vento se esconde meu amor
Eu prometo estarei com você...

Se hoje á noite parece não mais ter fim
Eu serei o amanhã meu amor, eu prometo
E mesmo que estrelas caiam do céu
Estarei com você;

Eu lhe dava as mãos quando pequena
Você se lembra?
Para atravessar a rua das incertezas
Não tenha medo hoje meu amor
Estarei aqui com você.

Estarei com você
Onde o vento se esconde meu amor
Eu prometo estarei com você...


Produzido por Marcelo Henrique Zacarelli
Village Itaquá (SP) Abril de 2011 no dia 21.         

A Cidade do Amor


Arujá é a cidade do amor não podemos negar
Foi lá que nos perdemos tentando se encontrar
As Pessoas passavam por nós como não existissem
O amor era nosso ponto de partida como eu sempre disse;

As luzes de mercúrio foram testemunhas de sussurros
A lua descalçada aos céus calçava seus coturnos
Mas não pense que acertou meu coração pra sempre meu amor
Como eu sempre disse;

Arujá é a cidade do amor vamos para lá acampar
Deixe a preguiça de lado, pois lá o céu é ímpar...

Arujá é a cidade do amor sinta seu perfume
Como rosas desarraigadas sentem teu ciúme
Mas não pense que acertou meu coração pra sempre meu amor
Como eu sempre disse;

Arujá é a cidade do amor vamos para lá acampar
Deixe a preguiça de lado, pois lá o céu é ímpar...

É impossível que você não se lembre esses anos todo
Que Arujá assaltou nossa juventude nos deixando bobos
Mas a algo que eu ainda não te disse meu amor
Como eu sempre disse;

9 de Agosto meu amor
Olhe para o céu
Sinta o frescor das árvores
Arujá é a cidade do amor
Como eu sempre disse.

Esta composição é uma Homenagem a cidade de Arujá (SP)
E também a única mulher que amo Fernanda Villarim Zacarelli.

Produzido por Marcelo Henrique Zacarelli
Village Itaquá (SP) Abril de 2011 no dia 21.         

12 janeiro 2011

Mãe dos meus Dias


Camilla Fernanda e Marcelo Zacarelli














Talvez possamos olhar juntos o arpoador
Ascender uma fogueira no topo das montanhas
Aquecer os nossos corações, abrasar nossa pele
Ascender um mato, decolar os pensamentos
Repousar no raso do mar
Talvez possamos fugir do controle da racionalidade e da normalidade banal
Não fogem as mariposas e gafanhotos?
A madrugada anuncia uma noite gelada
Vou me deitar com você para te protegê-la
Para te fazer mãe...
Vamos ler um livro e contar uma história
Algo que nos dê um motivo para sonhar
Vamos acordar e ver o por do sol
Envolver-nos com a nossa ideologia
Vamos nos surpreender em nossa trilha
Um lobo predador rodeia a nossa tenda
Rouba os nossos pertences
Estamos nus e sentimos que nada perdemos
Eu tenho você, e você tem algo que ninguém pode tirar de você
Depois de um café no espiro da fogueira
A tarde vem e nos convida a voltar
Traremos uma bagagem de filosofia e simplicidade
Dos carinhos que trocamos e da nossa amizade
Hoje amanheceu um dia cinza
Eu sonhei que podia ser verdade
Se você aceitar ser a mãe dos meus dias.

(Poema Surreal)

Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli
São Paulo, Janeiro de 2011 no dia 11


07 janeiro 2011

A Cegueira da Solidão



Pareço caminhar por infinitas dunas
Observado pelos faróis dos fortes
Pareço fraquejar nesta minha peleja
Quando me escurecem os olhos
Porém uma certeza
Das incontáveis areias e solidão que rodeia
Parece ser um coração de incertezas
Um amor que foi embora
Que nunca tive, ou só tristeza...
 Há noite vaga com olhares de negrume
E vigia-me como a viúva nos dias da ira
Como cães em dias famintos
Assim é a certeza das dúvidas
Queria esmorecer aos açoites de um olhar compenetrado
Extrair a luz de uma falsa convicção que me persegue
O relento da madrugada que me consome
Como homem que sou sem a tua guia
Multiplicam-se os dias
Parecem ser maiores que as dunas
As dores deste amor que me deixou
Parece que o forte não me alcança
E a madrugada me extermina
Há uma dança de revoadas caladas
Palavras em redemoinhos
Há uma certeza do amanhecer
Do calor que embora me penetre, me seque
Há uma certeza que os faróis dos fortes
Conduzem-me a beleza das mortes
Encontrei o caminho ao amanhecer
Perderam-se as noites
A beleza das areias
Perderam-se a certeza das incertezas
Que impulsionaram para a vida
O que me motivava para a solidão
Pareço estar protegido pelo forte dos teus olhos
Quando o que eu mais queria
Era a cegueira da solidão.

Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli
São Paulo, Janeiro de 2011 no dia 07