Marcelo Zacarelli

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18 junho 2015

Metade Não Eu


Hoje a lua promete
Promete ser você
Promete ser eu...
Ninguém quer ser o céu
Imenso e obscuro
Você não o quer
Eu também não.

Estamos os dois a querer ser lua
Justo hoje que ela promete
Que se faz pela metade
Metade minha, metade sua...

Deixemos de bobagem
Quando urgem as núpcias dos amantes
A recíproca é a mesma do cinismo
Da sua parte a feminina
Da minha o machismo.

Tentamos então nos desvencilharmos
Quando você sou eu
Quando eu sou você
Repartamos o lado obscuro
A face oculta da nossa vaidade.

Estamos os dois a querer ser lua
É certo que hoje não a podemos
Hoje a lua está à metade
Metade você
Metade não eu.

Marcelo Henrique Zacarelli
Arujá, 12 de Setembro de 2014

15 março 2015

Alma de Cavalo


Ele tinha a alma de cavalo
E o coração maior que do que todo este mundo
Era bruto como um diamante a ser lapidado
Mas brilhava mais que uma estrela na madrugada

Ele escondia por trás de seus olhos
Todos os sonhos de quando ainda menino
Ele cresceu quase que sem carinho
E tudo que almejava era amor em forma de canto de passarinho

Incompreendido era a sua maneira de amar
Ele via o amor onde jamais poderíamos encontrar
A vida havia-lhe sido severa desde a sua infância
Quando se tornou homem e exorcizou os seus próprios fantasmas

Confesso que não poderia lhe negar a minha admiração
E hoje a saudade galopa na frente dos meus pensamentos
Eu queria que o tempo pudesse parar por um momento
E lhe trouxesse de volta para te dar um abraço

Queria remanejar uma cavalaria nesta tua volta
Preparar-te uma tapioca, e também cuscuz do jeito que você gosta
Queria parar o cortejo desta estupida partida
Desmontar o roteiro mais triste desta nossa despedida

Saiba que onde você estiver
Os pássaros farão um concerto em sua homenagem
Em cada peito de um cavalo baterá o seu coração
Por que a tua alma ainda vive e é forte
Só não é mais forte do que a saudade que sinto
Nem mais forte do que a maldita solidão.

Homenagem a Cicero Alves Feitosa o nosso querido "Tio-Tio"

Autor: Marcelo Henrique Zacarelli
(Pinheiros) São Paulo, 27 de Fevereiro de 2015.



O Verde que lhe Falta


Se algum dia todas as cores se apagarem
Ainda terei um motivo 
Para furtar o verde dos teus olhos 
Emprestarei o verde ao mar,
O brilho ao sol,
O enigma aos mistérios
A malícia aos desejos...

Se algum dia vier a perder a direção
Tomarei emprestada a luz do teu olhar
Como bússola me guiará pelo caminho a seguir
E se um dia por acaso encontrar o arco-íris
Lembrar-me-ei que o verde que lhe falta 
Estará para sempre perdido no íntimo dos teus olhos.

"Homenagem à Camilla Fernanda"

Autor: Marcelo Zacarelli
Village, 03 de Janeiro de 2015.



28 julho 2014

Maior do que o Mar


Eu descia para ver o mar
Todas as tardes, eu queria compreender,
Eu ficava a imaginar, um azul quase que infinito 
As gralhas quebravam um silêncio, 
Espantavam os meus pensamentos. 

Todas as vezes que o mar engolia o sol

Enfartava de um verde quase morto,
Bem parecido com o meu coração 
Eu ficava mais um pouco, 
Até que o mar quebrasse aos meus pés. 

Eu só queria compreender... 

Então voltava sempre vazio, 
Apenas preenchido de um pensamento, 
Muitas vezes maior do que o mar.

Marcelo Zacarelli

Village, 17 de Maio de 2014





Não Chore pelo Outono


Não chore pelo outono
A época de morrer,
Quando a terra começar a dormir
Desfrute do tempo de começar de novo.

Experimente do glorioso frio outonal,
Nesta noite de verão
As lágrimas desaparecerão
Somente as pedras permanecerão,
Logo eu e você desaparecerá
As pedras por si só permanecerão.

Se o vento mudar a direção

Atirando as folhas contra,
Um murmúrio esbravejado do céu
Irá detê-las todas elas.

Lembre-se que um pensamento

Independe das estações,
Um amor pode nascer no verão
E morrer no outono,
Assim como as folhas não descansarão
Até que encontre repouso num vazio coração.

Marcelo Zacarelli

São Paulo, 07 de Maio de 2014







01 março 2014

As Rochas não Falam


A Solidão, esta; Que habita no meu coração
Praia deserta de rochas silenciosas
Contam um segredo só meu.
Falo aos passarinhos, estes zombam de mim
Em perfeita sinfonia caçoam do meu sofrer.

Desabafo então com as pedras
Estas, não podem opinar a meu respeito;
Por que as desgraçadas não podem ouvir?

Vejo ao longe o mar abraçar as rochas
Estas, oferecem-lhe a face
Para que o sal palpem-lhes o queixo...
Tenho lágrimas que o sal do mar
Não as podem enfrentar.

Acendo uma fogueira na areia
Esta, faz-me lembrar o teu calor
Tomo um vinho seco
E fico a namorar a lua até a madrugada.

Quando o sol despenca no travesseiro
Imaginário do meu leito,
Levanto e preparo uma jangada
Ponho-me a desbravar os oceanos...

Em terra firme queixo-me as pedras
Estas, ficam a admirar o meu sofrer
Parecem murmurar aos meu ouvidos;
Mais dia menos dia, tudo parece mudar
As areias, os mares, eu e a solidão...

As rochas continuam mudas
Quanto as minhas queixas
Estas, são todas ouvido.

Autor: Marcelo Zacarelli
São Paulo, 15 de Janeiro de 2014





12 fevereiro 2014

Valeu a Pena


Um dia bem cedo, quando o sol acordar espreguiçando
E, Eu, a colocar a espinhela caída sobre o pé da cama
De pijama a roçar o gelado piso em busca do chinelo perdido;
Quero lembrar-me à olhar para trás e vê-la ainda dormindo
Sutilmente, respirando com a boca entre aberta
Toda jovem de espírito, um anjo a sonhar...

Bem antes que a vontade de passar um gostoso café
Venho a fitá-la com todas as forças dos meus olhos
Encarando a tua face dócil e cheia de luz;
Acariciar os teus cabelos levemente, assim como a natureza
Surpreende na paciência de sua metamorfose
Dada ao crescimento de cada vida que respira
Quase que despercebida ao olho humano.

Minhas mãos cansadas e enrugadas tocarão a tua pele 
Só para ver o teu sorriso desabrochando como as flores
Que abraçam a primavera numa saudade incontido;
Um segundo que passa uma eternidade pela cabeça
Um filme que vivemos; Uma vida inteira
Que para só para observar este momento.

Valeu a pena acordar bem cedo;
Eu sempre acordo primeiro para te ver dormindo...
Bem antes que os teus olhos te acusarem
O milagre de um novo dia,
Quero ouvir a tua voz me chamando
Eu estarei aqui bem ao seu lado sussurrando em teus ouvidos
Eu estou aqui para servi-la; 
Obrigado por você existir e ser a minha esposa.

Quero te dizer que te amo
Como fosse o meu último dia de vida
Quero esperar ansioso pelo anoitecer
E amá~la como fosse a primeira vez.

"Inteiramente inspirado em Gina Fernanda V. Zacarelli
Minha eterna e amada esposa"

Marcelo Zacarelli
Cotia (SP),10 de Fevereiro de 2014


Um Pouco de Mim


Adoro-te!
Por me fazeres amar...
Quanto tens do teu amor?
O suficiente para te fazer feliz.

Se por ventura me faltares?
Saberás que te amei...
Quanto destes do teu amor
O suficiente para não esquecer-me.

Se por ti duvidares?
Quanto mais ainda tens?
Um pouco de mim e acaba...

Não saberás quem eu sou
Procuro por mim e não te acho
Não procures por mim
Pois de ti sou pedaço.

Marcelo Zacarelli
São Paulo, 10 de Janeiro de 2014



19 janeiro 2014

Para Sempre Dormir


Tento fugir, mas não consigo
Da imaginação que criei
Busco parar, mas é inútil
Impossível teu rosto esquecer;

Tento lutar, não resisto
A imagem que vem de você
Dos meus olhos não sai um segundo
Todo rosto me lembra você;

Talvez se o sol se zangasse
E matasse meu corpo de frio
E no escuro você me encontrasse
Preencheria o meu peito vazio;

Imagino teu corpo em meu corpo
Impossível, um sonho pra mim
Não quero acordar deste sono
Me deixe para sempre dormir.

Marcelo Zacarelli
Itaquaquecetuba, 05 de Junho de 2000


Coração de Papel


Cai chuva; Os teus pingos não mais me intimidam
Eles apenas se misturam com as lágrimas do meu rosto
Fazem de mim bem maior o meu pranto
Um rio de lágrimas eu vi pelo chão
E lá estava o meu pensamento navegando
Feito um barco sem rumo em volta do tempo;
Minha dor tornou-se tripulante deste barco sem destino
Então corremos mar a fora em busca do teu amor
O céu era azul; Mas não era doce como céu da tua boca
O mar se mostrava salgado, amargo como o sal de uma lágrima

Eu fiquei perdido no tempo, preso nas minhas indecisões
A bússola da saudade, apontava por caminhos inexistentes
Meu coração feito um barco de papel, encalhado sobre as rochas
Esperando pelo vento que soprasse em terra firme;
Onde você se escondeu? Eu preciso sentir o teu calor
Por que tomastes outro rumo, levando consigo parte de mim.

Depois de uma noite comprida, ajustei as velas
Meu corpo cansado, quem dera fosse de metal pesado
Naufragaria todos os meus sentimentos, não pesar-me-ia a dor
Mas eis que, meu coração é feito de papel
Esquadrinhei-o em forma de um barco
E coloquei-o a navegar pelos mares da ilusão
Na esperança de encontrar o porto das tuas mãos
Ao desfazer-se um bilhete contido uma escrita
Simplesmente te amo.

Marcelo Zacarelli
Itaquaquecetuba, 03 de Fevereiro de 1991



Menina no Jeito de Amar


Tempos difíceis
Aqueles que nos calamos
Tempos inesquecíveis
Impossível de ser esquecido;

Ainda espero por sua volta

Naquela tarde fria e sombria
Por dentro a alma reclama
Esperando você chegar;

Fico a pensar baixinho

Quase mudo assim murmurar
No meu quase desatino
Inventando um amor pra te dar.

Xi! esqueci que você não me ama

De manhã neste teu acordar
Amanhã quem sabes me chama
Sozinha no teu levantar.

Impossível é viver tão sozinha

Leviana no teu desejar
Tão perdida assim te profanas 
Ainda menina no jeito de amar.

Marcelo Zacarelli

Itaquaquecetuba, 28 de Maio de 2002



01 janeiro 2014

Pobre Homem


Veja você mesmo
Quantos sonhos a desperdiçar
São levianos pensamentos
No coração a palpitar.

Que és dor
És minha, assim tão minha
Quando só me vejo.

Pobre homem que sois
Que debruça sobre amores
Que engaveta histórias
Muitas dores, muitas dores.

Em ti já não há mais solidões
No abandono das paixões
Que não lembra mais de ti.

Marcelo Zacarelli
Data / desconhecida.


22 dezembro 2013

Ainda Existe Vida


No crepúsculo da manhã
Ainda de pijama na velha choupana
Tomei uma decisão só minha 
Queria sentir o cheiro do mar;

Sentir a areia dentre os dedos dos pés
Libertar a alma da solidão 
Descobrir que ainda há vida sem você.

Foi a primeira vez que vi 
O sol saltar dos seios das águas 
E o mar despir-se de um verde e vestir azul 
Eu temia que em mim não existisse vida.

Na calmaria da manhã
Ouvia o silêncio das pedras 
Das dores que as tais 
Guardavam dentro de si.

Antes que o mesmo sol fosse engolido pelas águas 
Antes que a tarde pintasse o céu de abóbora 
Antes que a noite fechasse as cortinas anunciando a escuridão 
E todas as luzes tomasse de assalto a cidade 
Eu fiz a minha melhor descoberta; 
Ainda existe vida longe de você. 

Marcelo Zacarelli 
São Paulo, 18 de Dezembro de 2013


Onde vai dar Esta Estrada


Eu queria saber onde vai dar esta estrada 
Ela não sai da minha cabeça 
Onde ela iria dar? 
No fim das contas 
Você escolheu seguir por ela.

Eu sabia que aquele abraço apertado 
Seria por alguém que não olharia para trás 
Se por acaso nos encontrarmos por aí 
Quero que saiba de uma coisa 
O destino é traiçoeiro 
E logo nos pregou uma peça.

Lá vem você me falar de solidão 
Logo você que pôs o pé na estrada 
Você nem olhou em meus olhos 
Não sabe se havia orgulho ou desprezo.

Mas eu sabia que aquele abraço apertado 
Dizia muito mais que um abraço 
Quando o outono chegar em março 
E varrer as folhas para longe 
Saiba que o meu coração estará em uma delas 
Quebrantado ao acompanhar tuas passadas.

Você poderia me dar mais um abraço 
Poderia ao menos olhar para trás.

Marcelo Zacarelli 
São Paulo 17 de Dezembro de 2013


05 novembro 2013

Um Novo Amor


Certo dia você acordou
E olhou para o mar
Surpreendeu-se com a sua dimensão;
Não era maior que a dor,
Dor todavia que sentias...

Não poderia enxugar do rosto
Toda lágrima que caíra
Chuva fina todas elas
Levemente escorriam;
Não bastasse, a saudade da tarde era o sol
Ao se por nos lábios que ardiam.

Para que chorar
Por alguém que não te quer
A solidão que torna os olhos daltônicos
O batom vermelho cor de carne suicida;
Àquele que te trocou
Por amores não correspondidos
Te abraçou como a primavera
E despediu-se como as folhas de outono.

Não tenhas medo de abrir
Uma nova porta,
Todo horizonte
Conspira ao teu favor;
Furte as cores de um arco íris
Dê um tom a este fim de tarde
Aproveite agora
Que as poças estão secando.

O céu vestiu-se de um laranja assanhado
E agora descansa no seio do infinito;
Encontre um novo amor para te abraçar
E todas as tuas mágoas, ser-lhe-ão sorrisos.


Marcelo Zacarelli
Bairro da Vila Madalena (São Paulo)
Outubro de 2013, no dia 25


27 outubro 2013

O Canto das Cigarras


Sinto no ar um cheiro de solidão
O orvalho feito lágrima dissimulado
Asas que caem, folhas de carvalho
Palpitam na palma das mãos.

A saudade pode ser um sarro
Nítido de melancolia
Ruivas que caem na folia
Atoladas num vaso de barro.

Toda forma de desejo é um poço
Subitamente infinito...
Quando todo sorriso é bem vindo
Atrelado a tristeza do corpo.

Lá dentro as almas fazem algazarra
Compondo as marras nos vossos vícios
Zoando nos cantos entristecidos
Regem o canto as pobres cigarras.


Marcelo Zacarelli       
Rua Bela Cintra (SP) Setembro de 2013, dia 20


  

30 novembro 2012

O Mesmo Destino


Porque escraviza nossas almas...
Cearemos nossas indiferenças
Quando o vento sopra fogo
No meu seio arde sem remorsos;
A culpa da saudade como herança
Que farta nossos dias de anseios
Estamos fadados ao mesmo destino
Cortes e cicatrizes desenham as nossas peles
Deixe-as a mostra das testemunhas inócuas
Guarde dentro de ti apenas teu segredo;

Eu sem saber se ainda vivo
Caminho sozinho contra o vento
Porém me esqueço dos teus beijos
Carrego-os apenas em meus pensamentos;
Onde foi que nós erramos...
Se ainda há tempo para nos reerguermos
Façamo-lo agora
Ou cortamos da carne a dor em que sangramos
É certa a morte o fim de que calamos
Apressas-te, pois desconfio que só ou juntos
Estamos fadados ao mesmo destino.


Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli
Village, Novembro de 2012 no dia 29.

20 setembro 2012

Ato Mútuo


Quanto de mim ainda podes ter
Quanto de ti ainda podes oferecer;
Dentre tanto ainda somos iguais
Somos falsos amantes...

Entrelaçados os pensamentos
Nosso tempo que tomamos em vão
E você chora por nós em confinamento
Eu ainda busco uma solução;

Mas... Ainda tens uma saída
Esquecer talvez de sofrer
Vai à noite, vem cansado o dia
Vai à vida, vem vontade de morrer;

Quanto a mim já não me possua
Pois a carne é insulto; em reles sofrer
Podeis seguir nesta estrada que é tua
Nesta minha labuta, tento espairecer;

Mas ao entramos nesta farsa juntos
Dei-te um pouco de mim, e tomei de você...
Mas espero que ao forjarmos este ato mútuo
Não nos separamos; não consigo viver sem você.


Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli
Village, Setembro de 2012 no dia 18.

23 abril 2012

Segunda Chance


A tarde estava propícia pra pensamentos

Um outono onde o tímido sol desfilava seu calor
A sorte até que lhe sorriu de escancarados dentes
Quando outrora tu provaste do verdadeiro amor;

Apreensiva o suor lhe escorria o rosto
O gélido quarto lembrava um passado distante
Por imaginar que um dia foi teu aquele forte corpo
E hoje te transforma indignada dos amantes;

O coração de uma mulher é oceano
Que faz um homem em seus mistérios repousar
Profundo e obscuro cheio de enganos
É ter o mar em suas mãos a esvaziar;

O amor que tu negaste pode não voltar
Por estar tão perto e tão fora do teu alcance
Outros outonos virão o que não se pode duvidar
Uma mulher sentida jamais lhe dará uma segunda chance.


Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli
Village, Abril de 2012 no dia 22.