Marcelo Zacarelli

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05 novembro 2013

Bordel das Freiras


No bordel das freiras
A noite se prostituía
Tal qual as mariposas
A sugar a luz.

Noctívagos entram
No cubículo apertado
Ofertam seus pecados
No madeiro da cruz.

Todos satisfazem
No escândalo da carne
Entre terços e desesperos
Todo nojo que possuis.

Da noite prostituída
Despedem-se as mariposas
Toda freira se converte esposa
No Bordel ao clarear da Luz.


Marcelo Zacarelli
São Paulo, Setembro de 2013, dia 25



Anjos e Demônios


Tu vens com tuas asas
Posar na candura do infinito
Na boca que arde como chama
Profana em teus gelados ouvidos.

Tu vens imaculada
Celebrar o gozo no precipício
Sustentada por tuas asas
Amor e ódio ou sacrifício.

Pobre demônio
Que valha da banalidade
Escravo de tua carne
Amante de seu próprio vício.

Vamos celebrar o bem e o mal
Anjos e demônios, pecados da vaidade
Sou tão somente carne
Deveras fosse espírito.


Marcelo Zacarelli
São Paulo, Rua Bela Cintra, Setembro de 2013, dia 24


21 setembro 2012

Epitáfio


Sombria e fria é a campa de dia
Que ufana da matéria que esconde
Faz soar o Timbre horrendo do credo
Urdir contra a malícia tirana da morte;

Os corvos famintos rodeiam as urnas
Sobre o cimento gelado escorrem-se os tolos
Era um moço de família muito rica
E tudo quanto lhe havia constituído vira mofo;

Sobre custódia a gaveta ume preencheu
E o sol embriagado sobre o átrio esmaeceu
Houve-se uma silente de perjuros evasivos
Quando cai noite de nefasto improviso;

Ao pé da sepultura fenecem as rosas
E a maldita cúpula da missa lhe tira a culpa
Sobre um Epitáfio um diabo vira santo
Ao exumar os ossos de um pobre miserável.



Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli
Village, Setembro de 2012 no dia 21.

27 maio 2011

O Anjo Caído


Pai,
Se possível for afasta de mim...
O Coração do Homem é um deserto
Uma longa estrada onde dançam os xamãs
Onde a serpente pleiteia seus rastros
Ouço vociferações no jardim desde menino;
No crepúsculo de Getsêmani exaltei-me por um momento
No Livro da Lei decifrei meus juízos, Thelema é meu livre arbítrio;
No gueto de Varsóvia pisei meus pés em holocausto
Minha honra chama-se lealdade,
Meus cavalos templários ou camisas negras...
As runas me protegem em tropas
Escrevi na prisão “minha luta”, minha peleja anti-semita...
Passei do Haiti a thule, sociedades memoráveis.

Ele nunca visitara outro funeral a não ser o do próprio pai
O coração do homem é um deserto
Uma longa estrada, Aleister nada poderia fazer;

Pai,
Se possível for...
Sustenta-me os pantáculos do Rei Salomão
Os pilares arremessados por Sansão;
Atai-me as alpercatas por hora
É longa minha jornada e me sangram os pés;
Me espera o alcorão, seus verbetes e recitações
Complexos mais que o Houaiss, pensamentos...

Os cincos Bispos de Antioquia a Constantinopla
Rosas queimadas como bruxas, incineradas palavras...
Obras apócrifas, Aristóteles, abades homicidas;
A estrela matutina ainda brilha em morfinas consumidas
Atravessei o deserto e me deparei com faces
As faces decapitadas de um exército de querubins;
Apossais das terras, as terras de carnes e enganos
Morrereis com ela, em sepultamento mútuo;

Esta noite eu perdi o sono...
Sonhei que caminhava no calabouço do Hades
Matava minha sede em Pison, a narrativa de Gênesis;
Por crime de genocídio, ceifas nos campos de Auschwitz
Socorro! Socorro! Heinrich ainda está vivo;

Jimmy, Janes e Jim, estão no sepulcro das consciências
Espalharam suas cinzas em ideologias recíprocas
Saltitar faz teus olhos nas telas de Monet
No imbróglio sorriso malicioso de Da Vinci
Inspirou-me Alfred por soberba num copo de vinho
As mil facetas do mago Crowley, cerimonial;

Pai,
Se possível...
Estão esgotados os meus suprimentos
Inri, meu corpo Transliterado
Esquartejado por muitos a caminho do Gólgota;

“Jihad maior” a guerra santa do oriente
Vietnamitas e cambojanos
O coração do homem é mesmo um deserto
Um acampamento de imprevisíveis nômades
Uma ópera incompreendida...
Não é preciso muito, o “Tsar” da língua;

Esta noite eu perdi o sono...
Às quinze horas perdi as chaves dos meus aposentos;
Ao chefe dos quatro anjos favorecidos
A regência deliberada sobre as batutas de meus dedos
Segue em ritmos de círculos viciosos até o fim dos tempos;

Agora descansa em paz a minha alma
Pai,
Tão simplesmente perdoa-me!
A estrela matutina ainda brilha.


“Este poema é uma mera visão do poder de raciocínio da faculdade física e mental, estando o autor isento de suas interpretações bem como as filosofias religiosas e políticas citadas, etnias, costumes e para outros fins ideológicos, talvez a mera coincidência entre o bem e o mal, para qual esclareço, não decorrentes da supremacia do mal, o mundo jaz no poder do maligno diz a Bíblia, ainda temos nosso advogado Jesus Cristo, o cordeiro santo que pagou preço de sangue por nossos pecados.”

Pelo Autor Marcelo Henrique Zacarelli
Maio de 2011, nos dias 26 e 27.

13 janeiro 2011

Imunodeficiência


The Doors












Ouça-me... Uma vez mais me ouça
Os lampejos da hipocrisia passaram pelo vão da porta
Ouça escapar das mãos a vida mesmo que tardia
Ouça escorrer os conselhos de Jó
Os provérbios de exilados profanos
Poderão sustentar-me de pé?
Ouça-me... Não a mim, mas a cegueira da minha loucura
Os turbilhões nômades que penetraram as veias
A estridente e suave nota, a mais alta pervertida nota ecoar os tímpanos
Não posso parar de ouvi-la
É decadente o estado destes ossos viventes
Você não pode ouvi-la dentro de você
Ela te surpreende de lamentos
Usurpa a tua mente com silêncio ensurdecedor
Mas eu, não posso parar de ouvi-la
Faz parte de mim desde ainda menino
Do convívio com minhas células
Ainda posso rastejar como as serpentes
Desejar como embrião um dia nascer
E formar uma nova luz sem manchas
Eu me descobri tarde demais
As caravanas já haviam passado
Olhe para mim e veja o projeto de quem desce as sepulturas
Desarraigam as raízes da intolerância
Fada-me de esperanças libertinas
Fala-me se consegues entrar nos meus olhos e extrair as dores das minhas córneas
Mais que minha carne está doente os meus pensamentos
Olhe pelo vão da porta e não deixe escapar o vento
Ouça-me por alguns segundos
Não posso desistir da vida
Ela me faz bem, não posso parar de ouvi-la.

(Poema Surreal)

Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli
São Paulo, Janeiro de 2011 no dia 12

12 janeiro 2011

Um Dia após a Morte


O Poeta Zacarelli











Rastejem insensíveis criminosos
Enquanto a lua estiver negra e não cair dos céus
A matilha de cães não ladrar a vossa alma
Esperaremos pelo golpe da serpente, a investida do lagarto
Esperaremos o ressecar do sol ao entardecer
E a caravana dos réus descansarem
É hora de atravessarmos o deserto
Assentarmos a roda de escarnecedores
Negociar os teus dias com a inimiga
Que uiva como o lobo em teus ouvidos
Derramam suor em tuas pupilas
Tente ludibriar a bússola que te martiriza
O hospede sombrio que de ti se aproxima
As valas já estão preenchidas
Flores por si só estarrecidas
As lágrimas não a trarão de volta
Nem a chuva no concreto escorrida
Um cavalo negro de galopes apressados
Vai se findando escurecendo a solidão
Todo teu sofrer paira no esquecimento
Se a noite é calma o dia também...
Não esperes pelas faces conhecidas
Continuam as freqüências das rotinas
Espere até que os cães ladrem a tua oficina
Os que forem ceifados juntarão a ti
Tome por montaria o próximo cavalo
Pois o galope do tempo parece não atrasar.
 
(Poema Surreal)

Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli
São Paulo, Janeiro de 2011 no dia 11

10 janeiro 2011

A Morte nas mãos de uma Mulher


A Bela Zacarelli











Regedor Indulgente, mulher inteligente
Com a batuta dos teus dedos
Faz o mar se acalmar, um homem flutuar em pensamentos
O sol enxugar as lágrimas no teu corpo quente
Um mortal se tornar poesia no colo do teu seio
Tua voz atiça as cordas vocais de um violino
E do estupefato rabecão
Regedor insolente, mulher prepotente
Com a labuta dos teus precedentes
Levantas o coral das torturas
Emudeces um homem que te implora na loucura
Teces as fibras da nudez e te faz transparente ao olhar da embriagues
Silencia a platéia dos amantes desesperados
A ópera de um opróbrio desgraçado
No púlpito da benevolência
No ato do pecado da adolescência
O infinito são as notas por ti levianas
Lançadas aos teus pés um homem se proclama
Na ira da tua impaciência
A valsa se despede das tuas mãos e termina
Reges a vida de um homem que por ti se suicida.


Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli
São Paulo, Janeiro de 2011 no dia 10.




Átrio da Demência


Toninho e Maria Inácio










Espera encontrar-me no átrio da demência
Tu profanas no escândalo da concupiscência
Vara-me com pensamentos inescrupulosos
Ridiculariza-me com teus anseios
Despista as minhas intenções
O inferno está a um passo da irracionalidade
Sorte é estar despido da tua imprudência
Os teus olhos que repugnam as minhas defesas
As teias da tua indolência equilibram meu sofrer
Espera encontrar-me a beira da loucura
Do precipício dos prazeres
Me faz escalar os degraus da tua carne
 E descer o rapel da indecência
Imaginar que posso fugir é utopia
Gritar na surdez da esquizofrenia
Subestima o predador a sua presa
E debocha da tua caça abatida
Maquiavélica rege os meus movimentos
Meus tormentos e fraqueza
Não mais tornarei a ser eu em sã consciência
Uma vez que provastes do meu amor
No átrio da demência.


(Pensamentos Complexos)

Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli
São Paulo, Janeiro de 2011 no dia 10

08 janeiro 2011

Sarcófago Rompido


Jim e Pamela Morrison













Espera romper o silêncio maldito de uma tarde de domingo
Onde possa se ouvir o ruído de uma lágrima
Espera-se que as folhas rastejem ao chão
Que a marcha das formigas continuem
Que as entranhas da terra gesticulem
Que os horrores dos sepulcros desconfiem
Olhar ao seu redor e olhares estranhos vos cumprimenta
As orações evocam desespero em calmarias
Alguém chegou primeiro e já te espera por hora
E quer te conhecer por vezes
A urna te fixa e te mede
O tempo lhe parece mais curto que te imagina
Uma noite era pra ser uma noite e um dia que nunca termina
Empresta teus ouvidos aos clamores
O som perceptível da labuta dos tremores
Teu odor ao terrível cheiro das flores
Não te despeça de um amigo que contigo ceava em vida
Quando a discórdia vos uniu em outras pelejas
A fatídica vida vos distraiu por um momento
Sinto estar chegando a hora
O sino que retina congela a alma
A sombria tumba reclama seus mortos
Outras sem vida reclamam sua vez
O coração é um sarcófago rompido
 Hora pela vida que desfaz
Hora por uma mulher que não o quer mais.

(Pensamentos Complexos)

Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli
São Paulo, Janeiro de 2011 no dia 07